Introdução
XIII
Salvador, 29 de maio de 1969
Joca saiu no táxi com Carolina. Estava extremamente pensativo. Na verdade se decepcionara com Ducas pela traição a Hermínio. Se agia assim com um amigo de tantos anos que não precisava dele para nada, como seria com o próprio sacristão? Estaria só interessado em usar as pessoas? Os pensamentos se misturavam na sua cabeça. Um misto de raiva e decepção. Ou estaria ele ofendido por Hermínio de quem não conseguia esquecer? Não, isto não. Ele sempre fora um homem e não uma bicha apaixonada por um padre! Joca não conseguia se encontrar em seus pensamentos quando o taxista anunciou:
-Chegamos senhor, não vai descer?
Pagou a corrida e olhou para a casa que estava a sua frente. Como alguém podia ter tanto dinheiro e morar num lugar daqueles enquanto outros passavam fome e miséria? É, definitivamente Deus não é justo.
Tocou a sirene e em dois minutos um funcionário da residência veio atendê-lo.
-O que o Sr. deseja?
-Por favor, Dr. Mário Constantino. Ele está a minha espera. Meu nome é Antonio César.
-Acompanhe-me senhor. Ele o espera.
Entraram por um suntuoso jardim impecavelmente cuidado que encantou Joca. Ao fundo via-se a piscina em forma de um caroço de feijão. Ficava cada vez mais impressionado à medida que entrava na mansão. Ao chegar, Dr. Mário o esperava na sala de visitas.
-Prazer Sr. Antonio! Sou Mário Constantino.
-O prazer é todo meu senhor.
Durante as apresentações Mário observava a menina. Embora tivesse mentindo para a esposa, acabou por contar a verdade. Ela era linda. Conforme Dr. Miguel, seu colega, descrevera. Olhos azuis, pele clara e traços finos. Tinha realmente características de nobreza.
-Sr. Antonio. Vou chamar a minha esposa para ver a menina. Caso ela goste, ficaremos com a criança. Se tudo der certo, efetuarei o pagamento em particular no meu escritório ao lado. Não quero que ela presencie isto, entende?
-Claro doutor.
-Outra coisa. Para todos os efeitos eu vi a criança antes. Tive que contar esta mentirinha para convencer minha esposa. O senhor sabe né?
-Sem problemas Dr. Mário.
Mário tocou um sininho e segundos depois adentra a sala o indefectível Aurino. O mordomo que há anos trabalhava na família.
-Aurino. Peça a senhora Sandra que desça. Diga a ela que a menina está aqui.
Quando o mordomo avisou a Sandra, seu coração palpitou e mais parecia rasgar-lhe o peito e querer pular para fora. Não estava certa se era aquilo que realmente queria. Tinha medo, muito medo mesmo. Aquela criança lá embaixo não era sua. Como iria conviver com isto o resto dos seus dias? Seria melhor nem descer para vê-la. Mário não a perdoaria, seria para ele uma afronta. Deu a palavra ao colega que ela veria a criança. Não era justo que nem sequer descesse para olhar. Além do mais, bastava dar uma olhadinha e dizer que não gostou. Que não queria ficar com a menina. Estava decidida. Não iria criar uma desconhecida. Desceu sabendo exatamente o que iria falar.
Tudo mudou quando viu Carolina. Era uma princesa. Como sempre sonhara uma filha. Quando fitou a face da criança esta lhe deu um lindo sorriso. Uma lágrima rolou em seu rosto. Não teve como conter o choro.
Sandra tomou Carolina nos braços. Seus olhos brilhavam. Sentiu uma sensação de maternidade. Pareciam que as duas eram mãe e filha. Foi o que sentiu no momento. Sua mãe tinha razão. Iria criar a menina.
-Mário é linda! Você tinha mesmo razão.
-Ela é nossa filinha Sandra. Como iremos chamá-la meu amor?
-Perdão doutor pela intromissão. A mãe dela, antes de morrer, lhe deu um lindo nome. Carolina.
-É o nome da minha mãe! Exclamou Sandra. Carolina então. Vai se chamar Carolina. Minha Carol.
-Bem Sr. Antonio, vamos até meu escritório para acertarmos todos os detalhes.
Mário efetuou o pagamento a Joca. Foram cem mil dólares. Pagou em espécie e Joca contou nota por nota.
-Sr. Sou uma pessoa influente e não quero meu nome envolvido em escândalos. Por isso o Sr, vai esquecer de mim e de tudo que se passou aqui.
-Não se preocupe Dr. Mário. A discrição é fundamental. Nunca o vi na vida.
-É assim que se fala meu caro. Seja discreto e não irá se arrepender. O mesmo não posso falar caso faça alguma bobagem.
-Não tenha medo. Foi um prazer conhece-lo.
Joca estava satisfeito e orgulhoso de si próprio. Pela primeira vez esteve envolvido tão diretamente nos negócios de Ducas. Tinha consciência que se saíra muito bem. Nunca tinha estado com tanto dinheiro nas mãos. Agora podia entender o que Hermínio queria falar com “lhe pago muito mais”. Percebeu o quanto era pouco o que lhe cabia pelo tanto que se arriscava. E se fugisse com o dinheiro e fosse ao encontro de Hermínio? Mas tinha sua mulher e seus filhos. Não poderia abandoná-los. Não, não podia fazer isto. Naquele momento tomara uma decisão. Aceitaria a proposta de Hermínio.
Joca encontrou Ducas no hotel. Deu-lhe o dinheiro e contou-lhe como foi o encontro com Dr. Mário.
-Bom trabalho Joca. Você está a cada dia mais esperto.
-Obrigado padre, o Sr. é um homem muito bom.
- Que nada Joca, apenas sei reconhecer o trabalho e dedicação do amigo. Tome aqui meu filho. Cento e cinqüenta dólares para você. Hermínio pediu que lhe desse um pouco a mais.
-Obrigado padre.
-Não agradeça. Vamos fazer um brinde ao sucesso. Mas Joca, lembre-se sempre: Para Hermínio esta criança custou US$ 50.000,00. Este é um segredo nosso.
-Claro padre.
Joca se riu por dentro e pensou: -Segredo nosso? Sim, meu e de Hermínio.
-Chegamos senhor, não vai descer?
Pagou a corrida e olhou para a casa que estava a sua frente. Como alguém podia ter tanto dinheiro e morar num lugar daqueles enquanto outros passavam fome e miséria? É, definitivamente Deus não é justo.
Tocou a sirene e em dois minutos um funcionário da residência veio atendê-lo.
-O que o Sr. deseja?
-Por favor, Dr. Mário Constantino. Ele está a minha espera. Meu nome é Antonio César.
-Acompanhe-me senhor. Ele o espera.
Entraram por um suntuoso jardim impecavelmente cuidado que encantou Joca. Ao fundo via-se a piscina em forma de um caroço de feijão. Ficava cada vez mais impressionado à medida que entrava na mansão. Ao chegar, Dr. Mário o esperava na sala de visitas.
-Prazer Sr. Antonio! Sou Mário Constantino.
-O prazer é todo meu senhor.
Durante as apresentações Mário observava a menina. Embora tivesse mentindo para a esposa, acabou por contar a verdade. Ela era linda. Conforme Dr. Miguel, seu colega, descrevera. Olhos azuis, pele clara e traços finos. Tinha realmente características de nobreza.
-Sr. Antonio. Vou chamar a minha esposa para ver a menina. Caso ela goste, ficaremos com a criança. Se tudo der certo, efetuarei o pagamento em particular no meu escritório ao lado. Não quero que ela presencie isto, entende?
-Claro doutor.
-Outra coisa. Para todos os efeitos eu vi a criança antes. Tive que contar esta mentirinha para convencer minha esposa. O senhor sabe né?
-Sem problemas Dr. Mário.
Mário tocou um sininho e segundos depois adentra a sala o indefectível Aurino. O mordomo que há anos trabalhava na família.
-Aurino. Peça a senhora Sandra que desça. Diga a ela que a menina está aqui.
Quando o mordomo avisou a Sandra, seu coração palpitou e mais parecia rasgar-lhe o peito e querer pular para fora. Não estava certa se era aquilo que realmente queria. Tinha medo, muito medo mesmo. Aquela criança lá embaixo não era sua. Como iria conviver com isto o resto dos seus dias? Seria melhor nem descer para vê-la. Mário não a perdoaria, seria para ele uma afronta. Deu a palavra ao colega que ela veria a criança. Não era justo que nem sequer descesse para olhar. Além do mais, bastava dar uma olhadinha e dizer que não gostou. Que não queria ficar com a menina. Estava decidida. Não iria criar uma desconhecida. Desceu sabendo exatamente o que iria falar.
Tudo mudou quando viu Carolina. Era uma princesa. Como sempre sonhara uma filha. Quando fitou a face da criança esta lhe deu um lindo sorriso. Uma lágrima rolou em seu rosto. Não teve como conter o choro.
Sandra tomou Carolina nos braços. Seus olhos brilhavam. Sentiu uma sensação de maternidade. Pareciam que as duas eram mãe e filha. Foi o que sentiu no momento. Sua mãe tinha razão. Iria criar a menina.
-Mário é linda! Você tinha mesmo razão.
-Ela é nossa filinha Sandra. Como iremos chamá-la meu amor?
-Perdão doutor pela intromissão. A mãe dela, antes de morrer, lhe deu um lindo nome. Carolina.
-É o nome da minha mãe! Exclamou Sandra. Carolina então. Vai se chamar Carolina. Minha Carol.
-Bem Sr. Antonio, vamos até meu escritório para acertarmos todos os detalhes.
Mário efetuou o pagamento a Joca. Foram cem mil dólares. Pagou em espécie e Joca contou nota por nota.
-Sr. Sou uma pessoa influente e não quero meu nome envolvido em escândalos. Por isso o Sr, vai esquecer de mim e de tudo que se passou aqui.
-Não se preocupe Dr. Mário. A discrição é fundamental. Nunca o vi na vida.
-É assim que se fala meu caro. Seja discreto e não irá se arrepender. O mesmo não posso falar caso faça alguma bobagem.
-Não tenha medo. Foi um prazer conhece-lo.
Joca estava satisfeito e orgulhoso de si próprio. Pela primeira vez esteve envolvido tão diretamente nos negócios de Ducas. Tinha consciência que se saíra muito bem. Nunca tinha estado com tanto dinheiro nas mãos. Agora podia entender o que Hermínio queria falar com “lhe pago muito mais”. Percebeu o quanto era pouco o que lhe cabia pelo tanto que se arriscava. E se fugisse com o dinheiro e fosse ao encontro de Hermínio? Mas tinha sua mulher e seus filhos. Não poderia abandoná-los. Não, não podia fazer isto. Naquele momento tomara uma decisão. Aceitaria a proposta de Hermínio.
Joca encontrou Ducas no hotel. Deu-lhe o dinheiro e contou-lhe como foi o encontro com Dr. Mário.
-Bom trabalho Joca. Você está a cada dia mais esperto.
-Obrigado padre, o Sr. é um homem muito bom.
- Que nada Joca, apenas sei reconhecer o trabalho e dedicação do amigo. Tome aqui meu filho. Cento e cinqüenta dólares para você. Hermínio pediu que lhe desse um pouco a mais.
-Obrigado padre.
-Não agradeça. Vamos fazer um brinde ao sucesso. Mas Joca, lembre-se sempre: Para Hermínio esta criança custou US$ 50.000,00. Este é um segredo nosso.
-Claro padre.
Joca se riu por dentro e pensou: -Segredo nosso? Sim, meu e de Hermínio.
